sábado, 17 de junho de 2017

Reciclando

Não é que eu seja uma anti social. É que o mundo hoje em dia é movido pelo dinheiro e por interesses, todo mundo no seu subconsciente quer tirar vantagem de alguma forma. Enquanto eu for uma pobre fudida e não tiver nada pra oferecer, as pessoas não se aproximam. Quando estamos em um momento ruim é que percebemos os verdadeiros, aqueles que merecem estar do nosso lado. Não faço questão de ter uma grande quantidade de amigos, ter status, seguir um padrão, mas exijo com todo meu direito que os poucos que restaram em minha vida sejam sinceros e verdadeiros e que não desapareçam quando eu estiver perdida ou destruída.

A sombra do vento

“[…] Peguei uma folha de papel branco e deixei a caneta me levar. Nas minhas mãos, a caneta não tinha nada a dizer. Procurei em vão as palavras que queria oferecer a Nuria Monfort, mas fui incapaz de escrever os sentir qualquer coisa, exceto um pavor inexplicável por sua ausência, por sabê-la perdida, ceifada pela raiz. Tive o pressentimento de que algum dia ela voltaria para mim, alguns meses ou anos mais tarde, e que eu sempre levaria sua lembrança no toque de uma estranha, em imagens que não me pertenciam, sem saber se era digno de tudo isso. Você vai embora em meio às sombras, pensei. Do mesmo jeito que viveu. […]

– A sombra do vento  ( Carlos Ruiz Zafón) pg. 286

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.

Cecília Meireles

A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade

Mágoas e decepções.

A verdade é que, todas as pessoas, sem excessões, vão nos decepcionar um dia. A decepção surge quando projetamos no outro aquilo que desejamos, alimentando fantasias e ilusões. Como dizia no livro Cidades de Papel de John Green “Basta lembrar que, às vezes, a forma como você pensa sobre uma pessoa não é a maneira como elas realmente são."
A decepção causa desapontamento e a mágoa causa a dor. São dois sentimentos diferentes mas ambos nos ensinam a compreender que as pessoas mudam, que devemos olhar o próximo com mais humanidade, tendo a certeza de que ninguém é perfeito e todos estamos sujeitos a erros.